Nos últimos anos, o termo low-code/no-code (também conhecido por LCNC) deixou de ser apenas uma tendência de TI para se tornar uma ferramenta estratégica dentro da engenharia de produção. Em um mercado onde empresas buscam eficiência, agilidade e redução de custos, profissionais capazes de automatizar processos e criar soluções sem depender totalmente de setores de desenvolvimento passam a ser um diferencial gigantesco. Mas algumas dúvidas ainda existem sobre o assunto: Como o LCNC está transformando a área? Onde ele se encaixa no dia a dia de um engenheiro de produção? Quais habilidades são importantes para utilizar e o principal, O QUE realmente é LCNC?
O que é Low-Code/No-Code?
Como o próprio nome já diz, o LCNC é um conjunto de maneiras de desenvolvimento que permite criar aplicações com pouca programação (low code), utilizando alguma lógica ou pequenos trechos de código, mas a maior parte do desenvolvimento é feita por meio de blocos visuais, arrastar-e-soltar e componentes pré-prontos, então você não precisa ser um dev para conseguir criar uma automação, por exemplo.
Já no no-code, todo o processo é totalmente visual e intuitivo, permitindo que pessoas sem conhecimento em programação consigam estruturar formulários, automatizar tarefas, criar dashboards e integrar ferramentas de forma rápida. Um exemplo de ferramenta no-code que é muito presente no dia a dia é o Notion, que ficou popular justamente por permitir que qualquer pessoa, mesmo sem programação, organize informações, crie sistemas de trabalho e automatize rotinas de forma extremamente flexível.
Em ambos os casos, o objetivo é o mesmo: acelerar a criação de soluções, sem esperar meses por um desenvolvimento do zero.
A seguir estão cada etapa e seu envolvimento com a Engenharia de Produção:
- Por que o LCNC faz tanto sentido na Engenharia de Produção?
Como já visto em diversos outros blogs, a engenharia de produção é voltada à otimização, integração de processos e tomada de decisão baseada em dados. Pensando nisso, o LCNC funciona como um “superpoder” para profissionais da produção, pois permite:
-
1. Automatizar tarefas repetitivas Atividades como envio de relatórios, registro de dados da produção, gerar alertas ou até lançar informações diretamente no ERP podem ser transformadas em fluxos automáticos que funcionam sem intervenção humana. Consequentemente, isso reduz o tempo gasto com tarefas operacionais, diminui erros humanos e libera o engenheiro para focar em análises mais estratégicas. Com algumas configurações visuais, é possível criar processos que monitoram eventos, coletam dados, processam informações e notificam equipes automaticamente, tornando a rotina produtiva muito mais eficiente.
-
2. Criar aplicativos simples, mas altamente úteis: Criar aplicativos simples, mas extremamente úteis, é outra grande vantagem do low-code/no-code. Com essas plataformas, soluções como checklists digitais, formulários de apontamento de produção, sistemas de controle de estoque ou aplicativos para acompanhar a manutenção preventiva podem ser desenvolvidas em poucas horas, sem a necessidade de um projeto de desenvolvimento tradicional. Isso permite que áreas operacionais resolvam rapidamente seus próprios gargalos, criando ferramentas sob medida para a rotina da fábrica ou do escritório. O resultado é mais agilidade, mais padronização e menos dependência de TI para demandas que, antes, levariam semanas para serem atendidas.
-
3. Integrar sistemas sem precisar de investimento pesado Integrar sistemas sem depender de uma infraestrutura pesada de TI é outro benefício importante do low-code/no-code. Como a área de produção trabalha diariamente com ERPs, sistemas MES, CRMs, planilhas e até sensores no chão de fábrica, essas plataformas facilitam a conexão entre todas essas fontes de dados de forma rápida e visual. Isso elimina retrabalhos, reduz integrações manuais e permite que informações circulem automaticamente entre setores.
-
4. Aumentar produtividade e reduzir erros Além disso, o LCNC aumenta significativamente a produtividade e reduz erros. Quando processos passam a ser automatizados, as falhas humanas diminuem, as etapas ficam mais padronizadas e as análises se tornam mais rápidas e confiáveis. O resultado é um fluxo de trabalho mais fluido, com menos interrupções e maior qualidade na tomada de decisão.
-
5. Possibilitar engenheiros a resolver seus próprios gargalos Por fim, o uso de LCNC capacita engenheiros a resolverem seus próprios gargalos. Em vez de depender de longas filas de TI ou de soluções prontas que nem sempre atendem ao contexto real da operação, o engenheiro de produção pode criar suas próprias ferramentas, automatizar processos e implementar melhorias diretamente. Ele deixa de ser apenas o profissional que identifica problemas e passa a atuar como criador de soluções, ampliando sua autonomia e impactando de forma mais direta o dia a dia da organização.
Onde o engenheiro de produção já usa (ou deveria usar) LCNC?
-
1. Gestão de estoques Ex: Criação de dashboards automáticos no Power BI com integração ao ERP
-
2. Manufatura e chão de fábrica Ex: Apps para checagem de parâmetros de processo
-
3. Qualidade Ex: Checklists digitais para inspeção
-
4. Logística Ex: Roteirização automatizada utilizando APIs e LCNC
-
5. Engenharia de métodos Ex: Coletas automáticas de tempo/peso/volume
LCNC é o fim da programação?
É importante reforçar que o LCNC veio para complementar, não substituir, desenvolvedores tradicionais. Com essas ferramentas, o engenheiro de produção passa a ter autonomia para: modelar processos
criar automações
validar fluxos
estruturar dados
E desenvolvedores podem entrar nos casos mais complexos. É uma integração inteligente, não uma competição, onde cada profissional contribui com o que faz melhor, acelerando projetos, reduzindo filas e aumentando a capacidade de inovação da empresa.
Conclusão
Low-code/no-code está se tornando uma das competências mais valiosas na Engenharia de Produção. Ele reduz gargalos, aumenta a autonomia dos times, acelera digitalizações e permite que o engenheiro atue exatamente na solução eficiente de problemas reais. Empresas que adotam LCNC conseguem inovar rápido, com baixo custo e sem depender exclusivamente de TI e, consequentemente, engenheiros que dominam LCNC se tornam líderes naturais nos avanços tecnológicos.